Centro para Cegos se reinventa com cozinha educativa

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Pautados no princípio de que a educação escolar deve estar vinculada ao mundo do trabalho e às práticas sociais, possibilitando o desenvolvimento integral do aluno e sua independência nos contextos sociais em que estão inseridos, dentre eles, o ambiente familiar, os Professores do CAP (Centro de Apoio Pedagógico ao Deficiente Visual) Ignácio Baptista Moura, implantaram uma cozinha dentro da sala de aula, com móveis e equipamentos com cores fortes e que, além de facilitar a visualização para quem tem baixa visão, estimula a garotada a preparar pratos “quase” de verdade. Essa iniciativa tem por objetivo auxiliar os 85 alunos matriculados naquele Centro, no desenvolvendo de habilidades necessárias à execução das tarefas do lar.

A Professora Lucilene Silva de Souza conta que os alunos simulam produção de bolo usando biscoito, inclusive com cobertura. “Eles têm necessidade de independência para produzir os próprios alimentos e aqui ensinamos isso também”, diz a educadora.

Em verdade, a elaboração e montagem da cozinha foram custeadas pelas próprias professoras, que foram comprando produtos aos poucos até poder ter uma cozinha completa para oferecer o melhor aos alunos. “Fizemos uma reunião com os pais para discutir formas de ajudarem os filhos em casa a alcançar a independência para produção de alimentos e eles também ficaram radiantes com essa estrutura que temos aqui”, comemora Lucilene.

A aluna Maísa Estela Bonfim, de 6 anos de idade, é “elétrica” e uma das mais animadas estudantes com a cozinha que foi parar na sala de aula. Ela é aluna da Escola Elinda Simplício Costa e no outro turno vai ao CAP, onde desenvolve habilidades apropriadas para sua imensa dificuldade de enxergar. “Gosto muito daqui”, diz ela, com a segurança de quem foi bem acolhida.

Mais pacata, mas também animada e inteligente, Manoely da Silva Oliveira, de 9 anos de idade, é aluna da Escola Municipal Isaura Noceti, vem de Morada Nova duas vezes por semana para as atividades do CAP e tem a companhia de sua inseparável irmã gêmea Isabelle da Silva Oliveira, que não tem nenhum problema de visão, mas gosta tanto do CAP que não perde uma manhã ali com a irmã. As duas se divertem com as aulas e se ajudam mutuamente.

O CAP é uma escola para cegos e pessoas de baixa visão gerido pela Prefeitura de Marabá, por meio da SEMED (Secretaria Municipal de Educação). Lá, alunos de escolas públicas e pessoas da comunidade, em geral, com cegueira ou baixa visão que precisam de ajuda, são atendidos por uma equipe técnica especializada.

A coordenadora Josiane Soares Martins explica que a unidade está registrada junto ao Ministério da Educação (MEC) como escola para cegos. A equipe técnica conta com 13 profissionais capacitados e dispõe de vários equipamentos tecnológicos para ajudar no processo ensino-aprendizagem, entre os quais 8 computadores, 6 impressoras Braille, 3 scanners de mesa, 1 scanner de voz, 6 máquinas Braille Perkins, 4 softwares pedagógicos para deficiente visual e 2 kits de desenho especializados.

No caso dos alunos da Rede Municipal, recebem estimulação precoce, contando com quatro alunos com idade de um a dois anos, os quais ganham auxílio de fisioterapeuta com a parte motora, e um Professor especializado que promove estímulos pedagógicos e psicológicos. A equipe de Pedagogos faz atendimento para alfabetização em Braille, um processo cuidadoso que já alcançou excelentes resultados em 13 anos de existência daquele Centro, localizado na Agrópolis do Incra, em frente à Justiça Federal.

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